🌿 1. Objetivo Geral
Mapear, registrar e valorizar o patrimônio cultural ancestral e vivo das periferias de Belém, com ênfase nos bairros do Benguí, Parque Verde e Cabanagem, reconhecendo a importância de mestres, práticas, lugares e saberes que formam a identidade cultural e ambiental da Amazônia urbana.
🎯 2. Objetivos Específicos
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Identificar e registrar bens culturais materiais e imateriais (saberes, ofícios, celebrações, lugares de memória e de resistência);
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Produzir mapas colaborativos digitais com dados georreferenciados sobre o patrimônio cultural local;
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Estimular a participação comunitária no processo de registro e valorização dos saberes locais;
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Promover a educação patrimonial com base em tecnologias livres, linguagem acessível e diálogo intergeracional;
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Integrar o mapeamento a uma plataforma aberta que permita o acesso público, a atualização contínua e o uso dos dados em políticas públicas de cultura, meio ambiente e memória social.
🧭 3. Metodologia
A metodologia do Mairi combina cartografia participativa, tecnologia livre e pesquisa cultural comunitária, organizada em quatro eixos principais:
🔹 3.1. Levantamento Comunitário e Diagnóstico Participativo
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Realização de oficinas e rodas de conversa com moradores, mestres e coletivos culturais de cada bairro;
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Identificação inicial de práticas, espaços, memórias e pessoas reconhecidas como referências culturais;
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Registro de relatos, fotografias, sons e coordenadas geográficas com consentimento dos participantes.
🔹 3.2. Definição de Critérios de Relevância Cultural
Os critérios orientam o que deve ser mapeado. São eles:
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Tempo de existência — continuidade histórica da prática, lugar ou saber;
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Número de pessoas envolvidas — abrangência comunitária e transmissão intergeracional;
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Impacto na vida local — relevância social, simbólica, ambiental ou econômica;
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Singularidade — aspectos únicos da tradição ou da relação com o território;
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Vulnerabilidade — risco de desaparecimento, descaracterização ou esquecimento;
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Abertura comunitária — disposição dos grupos em compartilhar e dialogar com o mapeamento;
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Relação com o ambiente — integração entre cultura, natureza e território (rios, igarapés, matas, feiras, quintais, etc.);
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Dimensão de resistência — práticas que afirmam identidade e pertencimento em contextos de exclusão.
🔹 3.3. Mapeamento Digital Colaborativo
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Uso de ferramentas livres (OpenStreetMap, Leaflet, Seblod) para registrar geograficamente os patrimônios;
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Cada ponto inclui informações textuais, visuais e sonoras;
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O sistema é PWA e funciona offline, garantindo acessibilidade mesmo em áreas de baixa conectividade.
🔹 3.4. Validação Comunitária e Devolutiva
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As comunidades revisam os dados e autorizam a publicação dos pontos;
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Realiza-se uma devolutiva pública (exposição, mapa impresso, ou mostra digital);
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Criação de um “Mapa Vivo da Ancestralidade”, aberto à atualização contínua pelos próprios moradores.
🌎 4. Perspectiva Ético-Política
O Mairi parte do princípio de que mapear é um ato político: reconhecer e visibilizar o que a cidade oficial ignora.
Por isso, a metodologia valoriza:
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Autoria coletiva e consentimento informado;
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Tecnologias abertas e transparentes;
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Cuidado com dados sensíveis;
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Valorização da oralidade, da memória e do afeto como fontes legítimas de conhecimento.
🔄 5. Resultados Esperados
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Criação de um acervo digital colaborativo sobre o patrimônio cultural das periferias de Belém;
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Fortalecimento de redes locais de mestres, artistas e coletivos;
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Base de dados para políticas públicas e projetos culturais;
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Ampliação da percepção social de que as periferias também são guardiãs de patrimônio ancestral.
O Mairi foi desenvolvido como um PWA (Progressive Web App) — um aplicativo web progressivo que pode ser instalado no celular e funcionar sem internet, garantindo o acesso contínuo aos conteúdos mesmo em áreas com sinal instável. Essa arquitetura livre e inclusiva representa uma inovação técnica e política: a tecnologia aqui é pensada como infraestrutura comunitária, que resiste à exclusão digital e amplia o alcance da cultura periférica e amazônica.
A plataforma https://mairi.lablivre.tec.br/ reúne 20 pontos de relevância cultural digitalizados com imagens, sons, vídeos e narrativas em realidade aumentada (RA).
Ao caminhar por Belém ou explorar o mapa interativo, o visitante acessa camadas invisíveis de histórias e afetos — é a cidade que fala, canta e se reinventa em cada ponto mapeado.
Dentro do projeto, o eixo Ancestralidade Digital aprofunda essa relação entre natureza, arte e tecnologia.
Três experiências interativas dão forma a esse conceito:
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Tambores do Céu – aplicativo sensível à luz solar, desenvolvido em JavaScript, que transforma variações de luminosidade em sons, conectando o ambiente à música e ao corpo.
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Artefatos Virtuais – esculturas digitais interativas inspiradas em símbolos amazônicos, manipuláveis pelo navegador, funcionando como muiraquitãs de código.
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Dança do Sol – obra visual que converte o brilho da luz natural em movimento e cor, criando uma coreografia viva entre a atmosfera e a interface.
Essas experiências mostram que a ancestralidade também pode habitar o digital: dados que vibram como cantos, sensores que sentem o sol, redes que ecoam saberes antigos.
O Mairi propõe uma nova ecologia do conhecimento — um espaço onde o código é floresta, a memória é interface e a tecnologia é instrumento de reencantamento.
